O ensino nos EUA é melhor doque o nosso?

Recentemente (24/08/2010) a revista Newsweek publicou uma interessante e reveladora matéria sobre o nível de conhecimento dos estadunidenses sobre alguns assuntos, onde cidadãos da nação mais tecnológica do mundo não conseguem localizar o Iraque ou o Afeganistão em um mapa da Ásia, e 61 % dos pesquisados não acreditam na teoria da evolução das espécies, ainda há um grande número que acredita que o Sol é que gira em torno da Terra.

• Apenas 39% acredita na teoria da evolução de Darwin, aliás, 45% não soube associar o nome de Darwin à teoria;
• Lost? Não pergunte a um estadunidense. 73 % dos jovens americanos não conseguem localizar o Iraque em um mapa, 90 % não localiza o Afeganistão, mesmo se você lhes dá a vantagem de um mapa somente da Ásia. E mais de um terço dos norte-americanos de qualquer idade não identificam o continente que abriga o Rio Amazonas;
• 41% acreditam em espíritos e 32 em fantasmas, o iluminismo parece não ter surtido muito efeito por lá;
• Mesmo sendo tão religiosos, apenas metade dos estadunidenses foi capaz de identificar que o judaísmos é mais antigo do que o cristianismo e o islamismo
• Mesmo anos após as alegações de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa ou tinha ligações com o 11 de Setembro terem sido desmentidas, 41 % acreditam que Saddam estava envolvido no 11/09;
• Copérnico que se dane, 20 % dos estadunidenses acreditam ainda que o Sol gira em torno da Terra;
• Mais de três quartos dos estadunidenses consegue citar o nome de pelo menos dois dos sete anões, embora não consigam citar dois membros da Suprema Corte;
• Três em cada quatro estadunidenses podem identificar corretamente Larry, Curly e Moe como os Três Patetas. Apenas dois em cada cinco entrevistados, no entanto, podem identificar corretamente o Executivo, Legislativo e Judiciário como três alas do governo;
• 24 % acreditam que Obama é muçulmano.
Fonte:http://www.newsweek.com/photo/2010/08/24/dumb-things-americans-believe.html

Obviamente esses dados não têm grande valor científico,mas indicam uma realidade importante, um grupo social domina certas áreas do conhecimento que lhes auxilia na manutenção de seu status quo de nação produtora e consumidora de produtos altamente tecnológicos,mas em detrimento disso, o pouco conhecimento das áreas chamadas de humanidades demonstram que esses saberes não são fornecidos de forma igualitária a todos, pois permitiria que além de produzir e consumir, o indivíduo pudesse REFLETIR sobre seu trabalho, sobre os rumos de sua sociedade. Mas REFLETIR não deve ser função de todos em uma sociedade dividida, onde uma elite pensa e o maioria executa, trabalha,produz e consome,sendo somente essas suas funções na sociedade.
Alguns irrefletidamente podem pensar que no Brasil a situação é bem pior, nada mais errôneo, e é sobre esta análise equivocada que se discute a tão almejada qualidade na educação . O que ocorre no Brasil,é que o país está alterando sua base tecnológica de produção e consequentemente alterando seu padrão de consumo, o resultado dessas alterações é que a sociedade atual necessita de um individuo que consiga produzir e operar certa tecnologia que antes não existia no país. Esta é a razão da suposta alteração de postura da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo SEE-SP com relação ao ensino oficial, a sociedade brasileira está mudando sua forma de produzir e consumir e portanto a educação formal deve ensinar esses novos conhecimentos para que os individuas continuem com suas funções sociais: meros produtores e consumidores, sendo esta a única qualidade necessária.
As vozes do senso comum insinuam que a educação dos países ricos é igualitária, mas constata-se que essas afirmações não correspondem a realidade dos fatos, nos EUA é nítida a diferença entre as escolas públicas dos bairros de brancos e dos bairros negros, na França ocorre a mesma coisa nas periferias cheias de imigrantes, onde as escolas são precárias. Dizer que a educação deles tem qualidade é desconhecer a realidade. Os estadunidenses tem muita compreensão de exatas, pois é disso que as empresas precisam para continuarem produzindo tecnologia, mas por outro lado compreendem pouco humanidades, demonstrando pouca capacidade de refletir sobre si e o outro. É isso que significa qualidade?
O Brasil está em meio a um processo de alteração de papel no cenário geopolítico e econômico mundial e por isso necessita mudar a base de conhecimentos que fornece aos indivíduos. Como é possível notar, a sociedade mudou, e somente após esta mudança é que a educação formal também começa a mudar, confirmando a assertiva de que é a sociedade que muda a educação formal fornecida pelo Estado e não o contrário, acreditar no contrário é supor que o “rabo balança o cachorro”. Toda essa celeuma em relação a suposta qualidade da educação formal assenta-se no fato de que o país está mudando tecnologicamente seu modo de produção e necessita de novos trabalhadores que dominem minimamente algumas linguagens tecnológicas e que sejam flexíveis na realização de tarefas,como por exemplo, os bancos querem informatizar o seu atendimento, para poder demitir o maior numero de funcionários possível,objetivando obterem maiores lucros, então instalam caixas de auto atendimento, mas grande parte da população não domina esta tecnologia, grande parte dos que a utilizam, demoram muito por não dominarem os recursos das máquinas, outra parte das pessoas precisam de ajuda humana para realizarem as tarefas e ainda outra parte simplesmente só utiliza os caixas humanos. É um grande investimento financeiro para que os indivíduos não utilizem corretamente as máquinas, então os bancos gastaram muito e não conseguem demitir o quanto querem, e como as pessoas demoram muito nas máquinas é preciso instalar mais máquinas para diminuírem as filas que simplesmente não existiriam se as pessoas soubessem utilizar corretamente essas tecnologias. Este é um pequeno exemplo das alterações que estão ocorrendo na sociedade e que pressionam as alterações na educação formal.
Essas alterações de currículos e metodologias são apenas formas de modificar para conservar o status quo atual. Por isso essas alterações estão ocorrendo nos estados mais pujantes economicamente, pois são exatamente esses estados que lideram a alteração tecnológica produtiva do país. Os resultados dessa alteração podem ser previstos,pois já ocorreram em outros países,principalmente na Ásia, onde, Japão e Coréia do Sul são bons exemplos. Os alunos aprenderão a ler melhor, mas isso não significa que compreenderão textos complexos com informações científicas, o conhecimento em exatas irá melhorar para que se possa projetar e operar certos equipamentos, mas nada que ligue esses saberes ao mundo e às relações humanas, como se estes equipamentos surgissem separados dos seres humanos, os conhecimentos em humanidades ficarão relegados a um segundo plano, como o exemplo da emenda da Lei 11.684, de 2008, que instituiu a obrigatoriedade do oferecimento das disciplinas Filosofia e Sociologia na grade curricular de todas as escolas do país, tornando-se assim disciplinas específicas e não mais conteúdos abrangíveis por outras áreas do conhecimento.
A princípio a idéia parece boa, mas basta observarmos mais cuidadosamente para constatarmos que instituiu-se duas novas disciplinas em um currículo já cheio, e não se alterou o tempo de permanência do estudante na escola, então surgem mais duas disciplinas que ocuparão o lugar de outras disciplinas que já existiam e que são igualmente importantes, na verdade ao contrário de melhorar a visão humanística essa decisão precariza ainda mais essa visão,pois, diminuíram as aulas de geografia e história para incluírem sociologia e filosofia, e com pouquíssimo tempo de aula, não se consegue ensinar nem o que já existia e nem o que passou a existir. Portanto essa lei ao contrário do que parece, não veio para avançar a cidadania mas sim para precarizar ainda mais o ensino das áreas de humanidades.
Existe um enorme hiato entre o que o senso comum estabelece como qualidade sem conseguir defini-la coerentemente e o qual seria a função real da educação escolar oficial controlada e oferecida pelo Estado.
Para Durkheim (1955):
“… A educação dada pelas escolas deve ficar submetida ao controle do Estado. Não é sequer admissível que a função de educador possa ser preenchida por alguém que não apresente garantias especiais, a respeito das quais só o Estado pode julgar …
…Não existe escola que possa reivindicar o direito de dar, com toda liberdade, uma educação anti-social…”
Isso ocorre por uma razão prática, cada sociedade constrói sua forma peculiar de organização e de produção de sua vida concreta, como vivemos em uma sociedade baseada na produção e consumo de mercadorias, onde tudo deve ser transformado em meras mercadorias para ser negociado, a visão romântica de uma educação salvadora e regeneradora baseadas nas memórias afetivas da infância vivida pelas pessoas, não auxilia na resolução das questões que se colocam, como bem demonstraram Marx e Engels ( 2002)
“A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias.
/…/Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas; as relações que as substituem tornam-se antiquadas antes de se ossificar. Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas.
/…/Pela exploração do mercado mundial a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.”

Portanto em uma sociedade cindida em classes antagônicas e com interesses distintos, a decisão sobre o que ensinar na escola oficial do Estado controlado pela “classe dominante” é sempre voltada para favorecer aos interesses dessa classe, para que pareça que seus interesses são os interesses de todos.Por esta razão no sistema econômico vigente a educação formal deve ser dada ao indivíduo SOMENTE para que ele seja capaz de cumprir o papel que lhe foi instituído a fazer. Se uma sociedade tem uma produção altamente tecnológica as pessoas serão ensinadas a dominarem certas habilidades matemáticas para continuarem produzindo e consumindo tecnologia, por outro lado, se uma sociedade é predominantemente agrária, não é preciso que sua população saiba mais do que rudimentos de alfabetização. Quem observa esse fenômeno de longe pode acreditar que o indivíduo que domina os conhecimentos de exatas, tenha uma qualidade melhor de educação do que o individuo pouco alfabetizado, mas ambos conhecem apenas o suficiente para exercerem seus papéis desiguais em uma sociedade desigual.

É ruim, mas pode piorar!

Bibliografia

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia, trad. Lourenço Filho, Edições
Melhoramentos, São Paulo, 4ª ed., 1955

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista,Ed. L&PM, Porto Alegre, 2002.

GRAHAM,David A, America the Ignorant. Revista NEWSWEEK, 24/08/11/2010 Disponível em : http://www.newsweek.com/photo/2010/08/24/dumb-things-americans-believe.html

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Sem educação, a pessoa não se torna gente

O ESTADO DE SÃO PAULO – 17/10/2006 (Adaptado)

Crodowaldo Pavan*

O Homo sapiens, diferente de todos os outros seres vivos existentes na Terra, recebe dois tipos de herança. A primeira é a herança biológica, representada pelos seus genes, que recebe na época da concepção. E a segunda, a herança cultural, que lhe deve ser fornecida depois do nascimento.
A herança cultural, representada principalmente pela educação, infelizmente é fornecida para poucos, e para muitos de forma incompleta e até certas vezes nula, não permitindo que muitas pessoas se tornem gente.
Dados recentes da ONU mostram que mais da metade da população humana, por falta de alimento, saúde e educação básica na infância e na juventude, não atinge o nível daquele que, além de suas condições físicas e fisiológicas, usa também as condições mentais.
Infelizmente, sem essa educação básica, essa educação bem-feita, o indivíduo não desenvolve as suas condições mentais, não vira gente e na realidade é um lixo na superfície da Terra.
Mais de 3 bilhões de pessoas, segundo os dados da ONU, vivem em situação desumana e, infelizmente, com poucas possibilidades de encontrar uma solução para terminar com essa desgraça injustificável.
Há cerca de um ano ou dois, o famoso escritor português Saramago, estando no Brasil, foi entrevistado pelo jornalista Boris Casoy, da TV Record. Eu assisti a essa entrevista dele. Nessa entrevista, uma hora qualquer, o Saramago diz para Boris: “Tu sabes, Boris, que uma comissão americana de análise de cultura constatou que em Nova Iorque existem 17% de pessoas analfabetas funcionais, ou seja, pessoas que sabem ler e escrever, mas que, em lendo os jornais, não são capazes de interpretar suas notícias”. E mais ainda diz Saramago: “Sabes tu, Boris, que em Portugal devemos ter 65% desse tipo de analfabetos”. Boris respondeu: “Tanto assim, professor?”. “É”, retrucou o escritor, “e vocês brasileiros devem ter mais”.
Na realidade, muitos professores primários e até membros do governo acham que alfabetização significa ensinar a ler e escrever. Na verdade, ler e escrever são instrumentos para educação e os que sabem só ler ou escrever não são por isso alfabetizados.
* É biólogo e geneticista

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O Mito da Caverna (Platão)

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.

Extraído do livro “Convite à Filosofia” de Marilena Chauí.

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CONHECIMENTO: A DISPUTA ENTRE A APARÊNCIA E A ESSÊNCIA.


Desde quando nascemos somos ensinados a como viver “neste mundo”, nossos pais, amigos, parentes, enfim, várias pessoas que convivem conosco passam seus ensinamentos com o intuito de que sejamos pessoas capazes de lidar com o mundo moderno, ou seja, tenhamos condições de conviver em sociedade, nos comunicar, trabalhar e seguir regras e padrões impostos pelo grupo de pessoas com o qual convivemos. Mas é exatamente aí que surge uma questão, como aprendemos certas coisas desde nossa infância, começamos a entender que aquilo que sabemos é a realidade, ou a verdade e nunca paramos para refletir sobre o que sabemos.

Como vimos em sala de aula, a uma grande distância entre aquilo que parece ser real e a realidade, por exemplo:O sol só pode ser menor que a Terra, pois, diariamente vemos um pequeno círculo amarelado percorrer o céu, indo de leste para oeste, ou o Sol se move em torno da Terra, que permanece imóvel. Quem duvidará disso, se diariamente vemos o Sol nascer, percorrer o céu e se pôr? Ao observarmos o céu noturno, vemos estrelas que já não existem mais há milhares de anos, mas é difícil acreditar nisso, pois nossos olhos nos garantem do contrário. Quando ouvimos um som que foi emitido a uma grande distância, devido ao tempo que o som leva para percorrer o caminho até chegar aos nossos ouvidos, faz com que muitas vezes ouçamos algo que não mais existe, como um trovão ou rojão distantes, mas nossos ouvidos nos dão a certeza de que o fato está ocorrendo no exato momento que o escutamos.

Certezas como essas formam nossas vidas, sendo transmitidas de geração em geração, mas basta uma análise mais criteriosa dos fatos para que percebamos que aquilo que nossos olhos veem pode não ser a realidade, mesmo que vejamos o Sol menor, os conhecimentos astronômicos nos demonstram que é exatamente o contrário, a Terra é muitas vezes menor que o Sol, e da mesma forma, mesmo que pareça que o Sol gira em torno da Terra a realidade é o contrário.

Este conceito vale para tudo o que sabemos, como ter certeza de que aquilo que você sabe é real ou ilusório? Quem garante que todas as suas crenças são verdadeiras? É para tentarmos responder essas e outras perguntas que vamos estudar Sociologia este ano, não será um caminho fácil, mas acredito que a maioria de nós prefere buscar a verdade do que viver em um mundo de ilusões, como nossos “amigos” do Mito da Caverna, que viam apenas sombras e acreditavam que aquilo era a realidade. O meu convite é para que todos nós saiamos de nossas cavernas e tentemos caminhar em direção ao conhecimento real, mas para isso a primeira coisa que devemos fazer é saber que tudo em nossas vidas é dividido entre: APARÊNCIA e ESSÊNCIA .

A aparência é a primeira impressão que temos de algo, é a casca, é o que “vemos”, é o que sentimos, geralmente acreditamos que as coisas são como nos parecem, mas não raramente acabamos nos decepcionando quando descobrimos que a realidade não era como nós a víamos, é neste ponto que percebemos que as coisas não são apenas o que parecem mas têm uma essência, elas têm uma realidade. Então nossa primeira tarefa na caminhada para fora da caverna é nos perguntarmos: SERÁ QUE AS COISAS QUE EU SEI, SÃO APARÊNCIAS OU ESSÊNCIAS?

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Senso Comum x Senso crítico

AS DUAS FORMAS DE ENCARAR O MUNDO: SENSO COMUM E SENSO CRÍTICO

Agora que já sabemos que em tudo que cerca nossas vidas existe uma APARÊNCIA e uma ESSÊNCIA, uma pergunta se torna necessária: Como saber qual a essência das coisas? Qual é a realidade? Para responder a estas questões temos que começar a mudar a nossa forma de encarar tudo o que nos cerca, temos que sair do SENSO COMUM e passarmos a pensar através do SENSO CRÍTICO também conhecido por PENSAMENTO CIENTÍFICO.

Mas o que é o senso comum?

Senso Comum é todo e qualquer conhecimento que possuímos e que nunca refletimos sobre eles, são subjetivos, isto é, expressam sentimentos e opiniões; são simplificadores, reduzimos um tema complexo em algo simples; não precisam de comprovação, as coisas são porque são; são generalizadores, reúnem vários conceitos em uma só idéia; é auto suficiente,não necessita de comprovação ou experimentação. O conhecimento do senso comum é adquirido espontaneamente, sem muita preocupação com o método, a crítica ou com sistematização.

Já o Senso Crítico ou Científico, é uma atitude de dúvida, antes de mais nada, a ciência desconfia da veracidade de nossas certezas, de nossa adesão imediata às coisas, da ausência de crítica e da falta de curiosidade. Por isso ali onde vemos coisas, fatos e acontecimentos, a atitude científica vê problemas e obstáculos, aparências precisam ser explicadas, e em certos casos afastadas.

Sob quase todos os aspectos, podemos dizer que o senso crítico opõe-se ponto por ponto às características do senso comum.Para desenvolver o pensamento científico é preciso saber solucionar problemas. Enxergar além dele, ter em vista um objetivo bem definido a ser alcançado. Também é preciso ter imaginação para levantar hipóteses porque quem mantém os dois pés sempre no chão não sai do lugar.

Então o primeiro passo que devemos dar em direção ao senso crítico é DUVIDAR da realidade, mas não basta duvidar, temos que BUSCAR A RESPOSTA.

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Natureza e Cultura

NATUREZA E CULTURA
Desde os tempos pré-históricos, e estrutura corporal dos homens para enfrentar condições especiais é inferior à de muitos animais. Como ilustra o renomado arqueólogo Gordon Childe (1892 – 1957), o homem não tem um couro peludo como o do urso para manter o calor num ambiente frio. O corpo humano não é excepcionalmente bem adaptado à fuga, à defesa própria ou à caça. Não tem capacidade para correr como uma lebre ou um avestruz. Não tem coloração protetora do tigre ou a armadura defensiva da tartaruga ou da lagosta. Não tem asas para voar e dar-lhe vantagem de espionar e localizar sua caça. Faltam-lhes bico, as garras e a acuidade do gavião. Os filhotes humanos demoram muito tempo para se desenvolverem precisando de serem cuidados e vigiados por vários anos, além disso, demoram aproximadamente 13 anos para que seus corpos estejam biologicamente prontos para se reproduzirem tornando assim muito frágil a garantia de manutenção de existência da espécie.
Então o que possibilitou com que a espécie humana sobrevivesse em ambientes tão hostis?Qual a razão dos humanos dominarem e se sobreporem às outras espécies e seres? Porque e como ele chegou até aqui?

O arqueólogo Gordon Childe conclui que, o ser humano pode ajustar-se a um número maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se infinitamente mais depressa do que qualquer mamífero superior, pois consegue garantir a segurança e a sobrevivência de seus filhotes, e derrotar o urso polar, a lebre, o gavião e o tigre, em seus recursos especiais. Pelo controle do fogo e pela habilidade de fazer roupas e casas, o homem pode viver, e vive e viceja, desde os pólos da Terra até o equador. Nos trens e automóveis que constrói, pode superar a mais rápida lebre ou avestruz. Nos aviões e foguete pode subir mais alto do que a águia, e, com os telescópios, ver mais longe do que o gavião. Com armas de fogo pode derrubar animais que nenhum tigre ousaria atacar.Mas fogo, roupas, casas, trens, automóveis, aviões, telescópios e armas de fogo não partem do corpo do homem. Eles não são herdados no sentido biológico. O conhecimento necessário para sua produção e uso é parte do nosso legado social. Resulta de uma tradição acumulada por muitas gerações e transmitida, não pelo sangue, mas através da linguagem (fala e escrita).

Por que o ser humano consegue dominar e modificar o ambiente em que vive?

A compensação que o homem tem pelos seus dotes corporais relativamente pobres é o cérebro grande e complexo, centro de um extenso e delicado sistema nervoso, aliado a uma incrível capacidade física de realizar tarefas também complexas e delicadas, que lhe permite desenvolver sua própria cultura.

Assim, ao contrário dos outros animais, os homens não são apenas seres biológicos produzidos pela natureza. Os homens são seres culturais (HISTÒRICOS) que modificam o estado de natureza, criando seu próprio mundo construindo sua história.

Mediante a cultura ,( que é o resultado de todo o conhecimento acumulado pelos seres humanos durante toda a sua existência no planeta Terra através das várias gerações) o homem criou para si próprio um “mundo novo”, diferente do cenário bruto originalmente encontrado. E dentro da biosfera (a parte do planeta que reúne condições para o desenvolvimento da vida), o homem foi construindo a antroposfera (a parte do mundo que resulta do ajustamento da natureza às necessidades humanas). Essa antroposfera, criada pelas diferentes culturas, é a morada do homem no mundo, é o universo humano. Constitui um espaço feito pelos conhecimentos e realizações desenvolvidos e compartilhados pelos diferentes grupos humanos.

FONTE:http://filosofiaantoniobataioli.blogspot.com/2010/05/natureza-ecultura.html(adaptado)

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